Experiências Favela Galeria · Metodologia para escolas
Investigar. Encontrar. Criar.
A imersão começa com perguntas e aproxima estudantes do território sem transformar a Vila Flávia em cenário. Em 3 horas, investigar é o centro da experiência. Nos formatos de 6 e 9 horas, essa investigação se desdobra também em criação.
Um lugar vivido por pessoas que criam
Artistas, moradores, comerciantes e educadores aparecem como autores de práticas e saberes. As conversas acontecem com interlocutores convidados, a partir do que desejam compartilhar. O território tem histórias, conflitos, invenções e escolhas que não cabem em uma imagem única.
A mediação acolhe o repertório dos estudantes e abre espaço para que ele seja interrogado. O objetivo não é provocar uma emoção determinada nem conduzir a uma lição moral. É sustentar um encontro em que as perguntas também possam mudar.
A jornada da turma
- Chegada: acolhimento, combinados e tempo para desacelerar.
- Expectativa: cada participante registra o que imagina encontrar, sem avaliação.
- Pergunta: cada pequeno grupo recebe uma lente de investigação.
- Travessia: observar, sentir, perguntar, ouvir e registrar com a mediação.
- Encontros: conhecer histórias e práticas com pessoas que vivem e criam no território.
- Confluência: reunir os olhares, comparar percepções e rever a primeira impressão.
- Criação, no formato de 6h: entrar em uma linguagem, aprender fundamentos e produzir algo com quem a pratica.
- Graffiti, no formato de 9h: aprender, conceber coletivamente, planejar e executar uma obra permanente.
- Continuidade: retomar questões, registros e criações na escola ou instituição.
A equipe de mediação realiza registros fotográficos autorizados do grupo ao longo da experiência. O registro é parte da memória do encontro, não substitui a observação e a presença de quem participa.
O educador acompanha a pergunta
O desenho de referência organiza 6–8 estudantes com um educador de campo ao longo da investigação, sujeito ao dimensionamento da proposta. A escola mantém seus acompanhantes e suas responsabilidades combinadas com a equipe.
O educador de campo cuida do grupo, reconhece ritmos, sustenta silêncios e ajuda a aprofundar perguntas. Não precisa antecipar todas as respostas. O artista, MC, DJ, educador ou profissional responsável pela experiência de criação conduz sua própria linguagem e compartilha uma maneira particular de fazer.
Essa atuação pede preparação em escuta, mediação, leitura do grupo e conhecimento do percurso. A composição dos profissionais e seus papéis aparece na proposta de cada escola.
Oito lentes para começar
A coordenação e a equipe escolhem as lentes de acordo com a turma. Os grupos podem partir com perguntas diferentes e descobrir as demais no encontro final.
Quem cuida deste lugar — e de quem?
O que é lembrado, o que mudou e o que foi apagado?
O que uma criança precisa para ocupar a cidade?
O que circula por aqui além de pessoas e mercadorias?
Quem pode decidir o que muda neste lugar?
Por onde a água passa e o que seu caminho revela?
Quantas mãos tornam uma obra, um alimento ou um encontro possível?
Água, memória, alimentação e trabalho, apresentados antes como roteiros separados, podem atravessar essas lentes. A história de um alimento pode abrir uma conversa sobre trabalho e memória; uma marca da chuva pode revelar decisões sobre a cidade.
Cartografia sensorial
A turma registra sons, cheiros, luz, sombra, temperatura, inclinações, texturas, permanências e deslocamentos. Também pode registrar desconforto, curiosidade e dúvida. O mapa reúne percepções situadas: o que este grupo encontrou neste dia.
A confluência não escolhe o mapa “certo”. Ela aproxima leituras e permite representar diferenças. Palavras, desenhos, linhas e imagens podem coexistir sem apagar uma discordância.
O direito de não gostar
Se um estudante diz “não gostei”, a conversa pode começar: de quê? Por quê? Que pista sustenta essa leitura? Quem percebe de outro modo? O que mudaria, e com quais consequências?
Participação não é entusiasmo obrigatório. Observar, escutar, desenhar e formular uma crítica são modos de estar no encontro. Tampouco é preciso expor uma experiência íntima para participar.
Uma proposta por etapa escolar
| Etapa | Como adaptar | Possível continuidade |
|---|---|---|
| Fundamental I | Percurso mais curto, perguntas concretas, pausas frequentes, desenho, brincadeira e exploração de formas. A série mínima varia por experiência. | Mapa ilustrado de um encontro, alfabeto visual ou relato oral. |
| Fundamental II | Comparar fontes e interpretações; investigar imagens, memória, ambiente e circulação; construir explicações com evidências. | Exposição de processos, série fotográfica ou publicação coletiva. |
| Ensino Médio | Aprofundar autoria, trabalho, cultura, desigualdade urbana e formas de participação, com argumentação e escuta de diferentes perspectivas. | Ensaio, projeto cultural, debate ou criação autoral. |
| 3º ano do Ensino Médio | Relacionar o encontro ao encerramento de ciclo: o que a turma leva e o que deseja deixar? | Obra coletiva e memória da turma, com entrega e suporte acordados. |
As conexões curriculares nas fichas orientam o diálogo com os professores. A equipe e a escola definem os objetivos do projeto; não se promete aprendizagem padronizada nem certificação curricular automática.
Conhecimento que continua na escola
Compare a primeira impressão e a experiência registrada. Peça que a turma distinga observação, relato de outra pessoa e interpretação própria. Avaliar o projeto pode considerar perguntas formuladas, atenção às fontes, colaboração e escolhas de investigação e criação — sem transformar o caderno íntimo em instrumento de nota.
A devolutiva reconhece artistas, interlocutores e estudantes e circula apenas nos canais combinados. O encontro pode abrir novas investigações no próprio bairro da escola.