Nasce o OPNI
O coletivo começa sua trajetória na cultura hip-hop e na arte urbana da Zona Leste.
FAVELANossa história · Vila Flávia
Uma comunidade que produz cultura, inventa linguagens e conta a própria história. É desse movimento que a Favela Galeria faz parte.

Raízes e encontros
A Favela Galeria é um projeto artístico e cultural desenvolvido pelo Coletivo OPNI com artistas, moradores e lideranças da Vila Flávia, em São Mateus, na Zona Leste de São Paulo.
Antes do nome, vieram os encontros. Em 2008, a mobilização conhecida como Favela Grafitada reuniu ações e ocupações artísticas no bairro. A partir de 2009, o OPNI estruturou e deu continuidade ao projeto que se tornou a Favela Galeria.
A criação atravessa muros, fachadas e vielas. Retratos, personagens, cores e palavras se misturam à circulação de quem mora, trabalha e cria aqui. A comunidade participa dessa construção, e o acervo se transforma com o tempo.
O coletivo começa sua trajetória na cultura hip-hop e na arte urbana da Zona Leste.
Artistas, moradores e lideranças se mobilizam em encontros culturais no território.
O OPNI consolida a estrutura, o conceito e a continuidade da galeria a céu aberto.
Obras, formação, encontros e intercâmbios seguem criando novas possibilidades.

Coletivo OPNI
O OPNI nasceu da cultura hip-hop em 1997. Artistas como Toddy e Val fazem parte de uma trajetória que leva as narrativas negras e periféricas aos muros, às telas e a encontros no Brasil e no exterior.
A produção do coletivo coloca em primeiro plano pessoas, memórias e experiências do cotidiano. Na Favela Galeria, essa linguagem se encontra com outros artistas e com as histórias de quem vive aqui.
Desenho, rua e circulação
As memórias que formam o projeto passam pelo desenho dentro de casa, pelo fazer manual, pela amizade e pelas descobertas na rua.
Costura, construção, letras e traços convivem com futebol, bicicleta, capoeira e dança. O hip-hop conecta essas experiências a outras pessoas e a outros pontos da cidade.
O picho e a escrita urbana também fazem parte dessa história: assinaturas, símbolos, agendas e encontros compõem uma cultura gráfica de autoria e pertencimento. A letra carrega um gesto, um grupo, uma trajetória.
É desse chão de criação que se desenvolvem o OPNI, os encontros da Favela Grafitada e a Favela Galeria, em diálogo com a rede cultural de São Mateus.
Nas memórias reunidas sobre o projeto, a circulação pelos encontros de hip-hop da São Bento aparece como lugar de troca. Os artistas voltam a São Mateus, recriam linguagens e fazem nascer outros encontros. A cultura viaja e ganha novas formas em cada lugar.
Espaço Organismo
Um espaço para permanecer, criar, compartilhar e cuidar. O Organismo reúne a energia que circula pelo território e abre as portas para novos encontros.
Galeria, ateliê, rodas de conversa, oficinas, exposições, residências artísticas e produção audiovisual convivem nesse ponto de cultura independente. É também onde geralmente começa a visita à Favela Galeria, com uma conversa sobre arte, cultura e o lugar onde estamos.
Um lugar de trabalho artístico e de intercâmbio com criadores de diferentes lugares.
Poesia, música e voz compartilhada: histórias do território encontram escuta e espaço de expressão.
Uma iniciativa de escuta e cuidado em saúde mental que integra a vida comunitária do Organismo.
Quem faz a cultura acontecer
O trabalho se desdobra em encontros, formação e projetos. A arte conecta gerações e abre espaço para diferentes vozes.
Artistas se encontram, conhecem a quebrada, conversam com a comunidade e criam novas intervenções. Cada encontro acrescenta outras linguagens ao percurso da galeria.
Encontros que fortalecem o protagonismo de mulheres, especialmente negras e periféricas, na arte urbana e nas políticas culturais. Em 2018, a iniciativa foi contemplada pelo Fomento à Cultura da Periferia.
Uma série de encontros e trocas com trajetórias da cultura preta e periférica. Emicida, Dexter, Thaíde, Criolo, KL Jay e Nega Gizza estão entre os artistas que participaram do projeto.
OPNI Mirim e Quadro Negro integram a atuação educativa do coletivo: experiências que aproximam crianças e jovens da arte e abrem espaço para pensamento crítico e criação.
Vila Flávia · São Mateus
Os encontros continuam além de cada mural. Ateliês, saraus, samba, hip-hop e iniciativas comunitárias formam uma rede de produção cultural.
São Mateus em Movimento é parte dessa articulação, com formação e ações culturais no bairro. O mapeamento local também reúne os ateliês de OCRIS e Quinho, a Adega Cultural do Miltão e espaços de encontro ligados ao samba e ao hip-hop.
A proposta Vila Flávia Criativa reconhece essa vocação e articula possibilidades de formação, economia criativa e desenvolvimento do território. A Favela Galeria é uma de suas referências.
Experiências para escolas
Três formas de viver o território: 3h de imersão investigativa, 6h com experiência de criação ou 9h com a experiência de graffiti “Da ideia ao muro”. Para escolas, universidades e grupos.